Blog do Fábio Mayer
  

INDECISÃO

Os controladores de vôo não são responsáveis pelo cáos nos aeroportos, salvo, claro, quando fazem greve e paralisam voluntariamente o sistema. Na verdade, encaramos hoje o resultado de um processo de irresponsabilidade que já vem de muito tempo, porque o Brasil, em 50 anos de história do controle aéreo, não se decidiu se o quer militar ou privado para a aviação civil (o controle exclusivamente privado não é de interesse da segurança nacional, pois as forças armadas detém meios aéreos e não podem sujeitar-se ao controle privado em suas operações).

Com efeito, isso criou a dificuldade de solução do problema, que não limita-se à quantidade de radares ou mesas de controle. Hoje, para criar mais cargos de controlador, é preciso criar mais cargos de sargentos da aeronáutica o que teria por consequência, aumentar proporcionalmente os cargos dessa patente no exército e na marinha, sem contar que aumentar o soldos desses sargentos, gera o efeito cascata de aumentar os rendimentos de toda a tropa. E ao mesmo tempo, a contratação de controladores privados exige que eles trabalhem em separado dos militares, dadas as diferanças do regime de trabalho que não sofre o mesmo rigor hierárquico, e mesmo de salário, pois os controladores privados ganham pouco, mas infinitamente mais que os militares.

O problema é que todo esse quadro agravou no atual governo que, há sete meses tratando do assunto diariamente, não foi capaz nem de lançar nem medidas paliativas para amenizá-lo, o que é estranho, visto que sendo o governo o detentor do direito de construir e administrar todos os aeroportos do país aja assim, em um contexto em que alardeia uma meta de crescimento econômico à taxas de 4,5% por ano, sabendo que isso só será alcançado com investimentos fortes em infra-estrutura, capazes de justificar planos de negócios de investidores do setor privado.

E o que era apenas um problema administrativo que tornou-se público por conta do lamentável acidente da Gol, já dá mostras de virar crise institucional.

Os controladores entraram em greve. O Comando da Aeronáutica, usando da sua prerrogativa constitucional da hierarquia, que é requisito fundamental para o funcionamento de um força armada, mandou prender os sargentos que efetivam essa função e lotá-los à força no trabalho. O presidente, em viagem e extremamente mal assessorado sobre o assunto, mandou libertá-los. Ao chegar no Brasil, o presidente deparou com o cáos nos aeroportos e com a irritação nos comandos das forças armadas, já cansados de tanta incompetência do ministro Waldir Pires, que foi incapaz de explicar ao presidente a peculiaridade inerente aos controladores militares. Ao mesmo tempo, controladores civis manifestaram descontentamento no Rio de Janeiro, porque não ficou claro em momento algum se o governo havia negociado apenas com os militares, ou com toda a classe.

Tanto é que, ontem, o presidente mudou de idéia e passou uma descompostura na classe, certamente pressionado pelos meios militares, que há muito andam insatisfeitos por razões várias, mas mais especificamente pela letargia do governo em tratar dos soldos e do seu reequipamento, e pela facilidade com que Venezuela e Bolívia (e agora, consta, o Equador também) afrontam o Brasil exibindo fuzis e aviões de combate para tratar de refinarias e investimentos da Petrobrás.

Essa crise se arrasta. E se instalada a CPI do controle aéreo, tende a paralisar o país e dificultar a aprovação do PAC, por duas razões: a) O público que presta atenção em CPI(s), de regra, é o mesmo que usa os aeroportos; b) será irresistível à oposição, enfraquecida e diminuída, não ceder à tentação de transformar a CPI num palanque a demonstrar a incapacidade de uma parte do governo, especialmente ligada à infra-estrutura requisitada para o crescimento econômico pretendido com a aprovação do PAC.

Urge que o senhor presidente dê murros na mesa, demita o ministro da Defesa e tome medidas claras e eficazes para tratar do assunto. Desta vez a conversa ao pé do ouvido não está funcionando.

O Estado de S.Paulo

Pressionado por Crise, Lula pode ir a TV pedir paciência

http://www.estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2007/abr/03/33.htm

Blog do Josias de Souza/Folha de S.Paulo

Aeronáutica receia onda de indisciplina na tropa.

Para acalmar militares, Lula não recebe amotinados.

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2007-04-01_2007-04-07.html#2007_04-03_03_11_21-10045644-0

 



Escrito por FM às 09h26
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